PORTO PIAUÍ AVANÇA PROJETO DE CABOTAGEM COM SANTA CATARINA E PREPARA TERMINAL DE CONTÊINERES EM LUÍS CORREIA
- há 2 dias
- 3 min de leitura
O Porto Piauí dá mais um passo rumo à consolidação como novo elo logístico entre o Nordeste e o Sul do país. A Companhia Porto Piauí e a SC Portos Operações Portuárias formalizaram um Memorando de Entendimento para avaliar a viabilidade econômica e operacional de rotas regulares de cabotagem entre o Porto de Luís Correia, no litoral piauiense, e outros terminais da costa brasileira.
O acordo foi precedido por uma apresentação conjunta do presidente da Porto Piauí e de diretores da SC Portos durante a Intermodal 2026, evento de logística e transporte de carga realizado em São Paulo, ocasião em que as duas partes discutiram caminhos para ampliar a integração logística nacional pela via marítima. Entre os desdobramentos dessa aproximação, um novo entendimento prevê estudos conjuntos sobre a viabilidade de conectar o Porto de Luís Correia ao Porto de Itajaí, em Santa Catarina.
Segundo os levantamentos preliminares, os trajetos entre o Piauí e Santa Catarina conectariam a região Sul às regiões Nordeste e Norte do país, criando um corredor que reduziria a dependência do transporte rodoviário de longa distância — hoje um dos principais gargalos de custo para as empresas do interior nordestino.
Enquanto os estudos de cabotagem avançam, a estrutura física que sustentará essas futuras operações começa a ganhar forma em Luís Correia. Em parceria com a CNAGA Armazéns Alfandegados, empresa fundada em 1967 e pioneira ao criar o primeiro armazém alfandegado do país autorizado a operar o regime especial de entreposto aduaneiro na importação e exportação, o Porto Piauí constrói um novo terminal de cargas gerais e contêineres.
A unidade terá aproximadamente 27 mil metros quadrados, onde serão construídos galpões e a estrutura para o transporte de cargas e contêineres, com investimento imediato de R$ 21 milhões. O cronograma da obra é apertado: o projeto prevê a implantação de galpões para manuseio de contêineres e carga geral até dezembro de 2026.
De acordo com a companhia, as primeiras operações previstas serão no modelo de cabotagem, o transporte de cargas entre portos do mesmo país — modalidade que vem ganhando peso na matriz logística brasileira. A cabotagem sozinha alcançou 303,7 milhões de toneladas em 2025, alta de 3,4% no período, e só os portos do Nordeste foram responsáveis por 60,7 milhões de toneladas transportadas por esse modal no ano passado.
O interesse do setor produtivo piauiense pela iniciativa já é perceptível. Estudo da Delta, citado em reportagens especializadas, revela que noventa e cinco por cento da fécula consumida no Piauí vêm de estados do Sul do Brasil — um indicativo do potencial de fluxo de mercadorias que uma rota direta com Santa Catarina poderia captar, tanto na importação de insumos quanto no escoamento da produção local.
Nem tudo, porém, está garantido. O maior desafio do Porto de Luís Correia é se tornar competitivo em um mercado já disputado por portos nordestinos mais consolidados, como Suape, em Pernambuco, e Pecém, no Ceará, que possuem infraestrutura mais madura para movimentação de contêineres. Some-se a isso a necessidade de comprovar demanda contínua de carga, já que a existência de demanda contínua é considerada decisiva para viabilizar qualquer nova rota de cabotagem.

Há ainda etapas burocráticas a vencer: a operação depende da conclusão de processos de licenciamento junto à Antaq e da habilitação aduaneira do terminal, dois trâmites que não possuem prazo público definido. Por outro lado, o Porto Piauí já avançou em frentes regulatórias importantes — a empresa recebeu habilitação da Receita Federal para operações de exportação e importação pelo Siscomex e autorizações regulatórias para o funcionamento do terminal.
Se a nova rota se concretizar, os ganhos devem ser sentidos nas duas pontas do país: para empresas piauienses e nordestinas, o transporte marítimo oferece custos por tonelada significativamente menores do que o frete rodoviário de longa distância, e a conexão direta com terminais catarinenses abriria acesso a cadeias produtivas do Sul sem depender exclusivamente de caminhões. (Fonte: Jornal Transporte Moderno; Web Piauí)
PORTO PIAUÍ AVANÇA PROJETO DE CABOTAGEM COM SANTA CATARINA




Comentários