A MULTIMODALIDADE É O CAMINHO PARA UM PAÍS MAIS JUSTO E SUSTENTÁVEL
- há 23 horas
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O governo federal, recentemente, adotou medidas para reorganizar a logística nacional. O Ministério dos Transportes lançou o Plano Nacional de Logística (PNL) 2050, documento que passará a orientar investimentos públicos e privados no setor pelas próximas duas décadas e meia. Segundo o texto, apresentado em Brasília, o país precisará de R$ 1,2 trilhão em investimentos em infraestrutura logística até 2050, dos quais R$ 734,4 bilhões deverão vir da iniciativa privada e R$ 490,5 bilhões do setor público. O objetivo central declarado é reduzir a dependência histórica do Brasil em relação ao transporte rodoviário e ampliar a integração entre os diferentes modais.

O diagnóstico que justifica o plano é conhecido, mas os números seguem alarmantes. Dados recentes da Confederação Nacional do Transporte (CNT) mostram que o transporte rodoviário responde por 65,8% da matriz brasileira, uma concentração muito acima da observada em outras economias de dimensão territorial semelhante, como a União Europeia (50%), os Estados Unidos (43%), a China (35%) e a Austrália (27%). A entidade é direta ao apontar a raiz do problema afirmando que há um desequilíbrio modal, já que países comparáveis distribuem melhor a movimentação de cargas entre ferrovias, hidrovias e cabotagem. O resultado prático dessa distorção aparece no bolso do consumidor e na competitividade das empresas. O custo logístico brasileiro evoluiu de 10,4% do PIB em 2014 para 15,5% em 2025, um salto que a própria CNT atribui à qualidade e à oferta da infraestrutura de transporte, evidenciando ineficiências sistêmicas que reduzem a competitividade do setor produtivo nacional.

É nesse contexto que o PNL 2050 ganha relevância estratégica. O plano reúne 31 eixos de transporte no seu cenário-meta, sendo 12 rodoviários, oito ferroviários, quatro aquaviários e sete intermodais, além de identificar 112 objetivos prioritários de ação. Diferentemente de ciclos anteriores de planejamento, o documento não se limita a uma lista de obras. Ele funciona, como descreveu o próprio Ministério dos Transportes, como um mapa de prioridades que define quais ligações entre modais o país precisa construir até 2050 e em que ordem, antes de definir obra por obra.
O movimento do governo federal dialoga com o diagnóstico do setor privado. O Plano CNT de Transporte e Logística 2026, divulgado paralelamente, mapeou uma carteira de R$ 2,03 trilhões em projetos considerados prioritários e a distribuição desses recursos por modal é reveladora do consenso que se forma no setor; R$ 1,1 trilhão será destinado ao ferroviário, R$ 511,5 bilhões ao rodoviário, R$ 173,1 bilhões ao hidroviário, R$ 125,1 bilhões à infraestrutura portuária, R$ 36,9 bilhões a terminais, R$ 28,3 bilhões a aeroportos e R$ 7,5 bilhões ao aquaviário. Pela primeira vez em décadas de planejamento setorial, as ferrovias concentram mais recursos propostos do que as rodovias, um sinal de que o discurso da multimodalidade começa a se traduzir em prioridade orçamentária concreta.
Os primeiros efeitos dessa reorientação já aparecem nos indicadores operacionais de 2026. Levantamento da CNT mostra que, enquanto o transporte rodoviário segue liderando a matriz com 64,85% de participação nas cargas movimentadas pelo país, seguido do ferroviário com 14,95%, a cabotagem com 10,47%, o hidroviário com 5,25%, o dutoviário com 4,45% e o aéreo com apenas 0,03%, o comportamento recente aponta para uma inflexão; - o transporte rodoviário de cargas registrou queda nos três primeiros meses de 2026, com o volume de soja, milho e farelo caindo de 20,83 milhões de toneladas no primeiro trimestre de 2025 para 19,68 milhões de toneladas um ano depois; uma retração de 5,55%, enquanto portos e ferrovias ganham espaço relativo.

Do ponto de vista da Modal Consult dois pontos do PNL 2050 merecem atenção redobrada nos próximos 24 meses. Primeiro, a lógica de "eixos" substituindo "obras isoladas" muda o critério de bancabilidade dos projetos. Ativos que antes eram avaliados de forma independente, um trecho ferroviário, um terminal portuário, por exemplo, passará a ser precificados pelo valor que agregam à rede como um todo. Isso favorece consórcios capazes de operar interfaces multimodais e penaliza projetos que não dialogam com os corredores prioritários definidos pelo governo. Segundo, o fato de que o plano foi elaborado pelo Ministério dos Transportes em conjunto com o Ministério de Portos e Aeroportos e servirá de base para o próximo PPA sinaliza que a janela de maior previsibilidade regulatória para concessões e PPPs deve se abrir a partir de 2027, quando os 112 objetivos prioritários começarem a ser convertidos em editais com estudos de viabilidade concluídos. Empresas que já estruturarem due diligence e modelagem financeira alinhadas aos eixos do PNL sairão na frente na disputa por esses ativos.
O sucesso do PNL 2050 dependerá menos do volume anunciado do que da capacidade de execução ao longo de sucessivos governos. O próprio documento reconhece que os valores representam projeção de necessidade, não valores já contratados ou reservados no Orçamento. Ainda assim, a convergência entre o diagnóstico oficial e o do setor privado, refletida na priorização ferroviária tanto do governo quanto da CNT, indica que a multimodalidade deixou de ser pauta técnica de nicho para se tornar consenso estratégico nacional. Para investidores, operadores logísticos e gestores públicos, o desafio agora é transformar planejamento em obra, e obra em redução mensurável do Custo Brasil. A Modal Consult está preparada e qualificada para oferecer as melhores soluções. Afinal, há treze anos transformamos complexidade em vantagem competitiva aos clientes.
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