ACESSOS PORTUÁRIOS: O ELO PARA DESTRAVAR A COMPETITIVIDADE LOGÍSTICA DO BRASIL
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O setor portuário brasileiro atravessa um momento de forte expansão, mas também de clara inflexão estratégica. Ao mesmo tempo em que registra volumes históricos de movimentação, o país ainda convive com gargalos estruturais que limitam ganhos de produtividade, pressionam custos e reduzem a atratividade da logística nacional diante de competidores globais. Em 2025, o setor aquaviário movimentou mais de 1,4 bilhão de toneladas, ante 1,32 bilhão no período anterior, avanço de 6,1%. No mesmo movimento, o Porto de Santos subiu da 43ª para a 37ª posição no ranking global de movimentação de contêineres da Lloyd's List, consolidando-se como líder da América Latina e como o único terminal brasileiro entre os 100 maiores portos do mundo.
Esse desempenho, porém, evidencia um desafio central: a infraestrutura de acesso aos portos não evoluiu no mesmo ritmo da demanda. Estudos da Confederação Nacional do Transporte (CNT) apontam entraves recorrentes, como acessos terrestres insuficientes, carência de pátios e berços, incompatibilidade de bitolas ferroviárias e morosidade nos processos de licenciamento. Na prática, a dificuldade de transportar cargas com eficiência até os terminais tornou-se um dos principais fatores de restrição à expansão do setor.

Para investidores, operadores logísticos, exportadores e agentes financeiros, o impacto econômico desse gargalo é direto. O custo logístico pode representar até 30% do valor final das commodities brasileiras, patamar superior ao observado em mercados concorrentes. No agronegócio, setor em que margem, escala e previsibilidade são determinantes, essa ineficiência afeta a formação de preços, a competitividade externa e a capacidade de captura de valor ao longo da cadeia. A elevada dependência do modal rodoviário, responsável por 61,1% da carga transportada no país, segundo a CNT, aprofunda o desequilíbrio e reforça a urgência de uma matriz mais integrada e intermodal.
Nesse contexto, os investimentos anunciados pelo governo federal ganham relevância não apenas como resposta de infraestrutura, mas como vetor de reposicionamento competitivo. Estão previstos mais de R$ 96,7 bilhões até 2030, incluindo R$ 14,5 bilhões destinados ao Ministério de Portos e Aeroportos até o fim deste ano. Entre os projetos de maior destaque está a concessão do canal de acesso ao Porto de Paranaguá, estimada em R$ 1 bilhão, que deverá viabilizar dragagem contínua e maior previsibilidade operacional. Em Santos, o projeto de R$ 6,45 bilhões prevê a ampliação da capacidade para receber navios com calado de até 17 metros, fator essencial para ganhos de escala e redução do custo por tonelada movimentada.

Em Santa Catarina, a necessidade estimada de R$ 57 bilhões até 2029 para adequação de rodovias, acessos e canais reforça a dimensão nacional do desafio. A agenda portuária deixou de ser localizada: tornou-se determinante para a eficiência dos corredores de exportação, para a fluidez do comércio exterior e para a redução de tempos de espera que afetam diretamente capital de giro, contratos e previsibilidade de entrega.
A modernização dos acessos portuários, portanto, transcende a dimensão física da infraestrutura. Trata-se de uma agenda de competitividade nacional, com reflexos sobre produtividade, integração de cadeias, atração de capital privado e inserção do Brasil nas rotas mais relevantes do comércio global. A conectividade portuária, medida pelo Liner Shipping Connectivity Index, da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), está diretamente associada à frequência de serviços marítimos, à capacidade de receber embarcações de maior porte e à eficiência dos acessos terrestres e aquaviários. Portos mais conectados atraem mais rotas, ampliam opções para embarcadores e reduzem custos de frete.
A eficiência portuária tem sido um dos pilares para sustentar o desempenho recente da balança comercial brasileira. No entanto, manter essa trajetória exige priorização de investimentos em acessos terrestres e aquaviários, com foco em projetos capazes de elevar capacidade, reduzir custos sistêmicos e aumentar a confiabilidade das cadeias logísticas.


Na visão da Modal Consult, a transformação da logística portuária brasileira requer abordagem sistêmica e de longo prazo, isto é, integração modal, desburocratização do licenciamento ambiental, investimentos contínuos em dragagem, ampliação da malha ferroviária e fortalecimento das hidrovias. Para o mercado investidor, essa agenda representa uma fronteira relevante de oportunidades em infraestrutura, eficiência operacional e geração de valor. Somente com essa combinação o Brasil será capaz de converter seu potencial produtivo em vantagem competitiva sustentável no comércio internacional.
O ELO PARA DESTRAVAR A COMPETITIVIDADE




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