ANÁLISE: COMO O ARCO NORTE REDESENHOU O AGRONEGÓCIO BRASILEIRO?
- gabrielaluisaconti
- há 12 minutos
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A malha logística brasileira já foi um entrave ao escoamento do que se produz no Cerrado. Levar a safra para os portos do Sudeste implicava trajetos mais longos, custos mais altos e maior exposição a interrupções. O Arco Norte mudou esse panorama. Trata-se, na atualidade, de um corredor multimodal de cerca de 7 mil quilômetros que conecta o Centro-Oeste brasileiro ao Atlântico Norte e, por extensão, aos mercados asiáticos.
O que, nos anos 1990, era apenas um projeto, passou a ser uma infraestrutura operacional. O Arco Norte articula rodovias, ferrovias, hidrovias e terminais marítimos, oferecendo uma alternativa competitiva às rotas tradicionais. Entre suas peças centrais estão a pavimentação da BR-163 até Miritituba, a navegação pela Hidrovia Tapajós–Amazonas e os complexos portuários de Barcarena e Vila do Conde, capazes de receber navios de grande porte e reduzir distâncias efetivas até o mercado asiático, inclusive por rotas que contornam parte da viagem via Canal do Panamá.
Três fatores definem seu impacto logístico. Primeiro, a pavimentação e manutenção da BR-163 reduziram os gargalos rodoviários que aumentavam custo e tempo de transporte. Segundo, a hidrovia Tapajós–Amazonas permite que comboios fluviais substituam milhares de viagens de caminhão. Estudos mostram que uma única composição de barcaças pode aliviar o transporte de centenas de caminhões, com ganhos expressivos em custo por tonelada transportada. Terceiro, a capacidade portuária no Arco Norte e a operação de navios maiores diminuem o custo unitário de embarque e ampliam a escala operacional.
Os números confirmam a transformação. Em 2008, o Arco Norte respondia por cerca de 8% das exportações brasileiras de grãos; em 2023, essa participação aproximou-se de 37%, equivalente a 50,4 milhões de toneladas de soja e milho escoadas pela região. No mesmo ano, o agronegócio brasileiro exportou US$ 166,5 bilhões, situando o país entre os principais exportadores mundiais de produtos agrícolas; a soja representou, nesse total, aproximadamente US$ 55,7 bilhões. Esses dados mostram como a mudança logística se traduziu em escala comercial.

A mobilidade gerada pelo corredor não é unidirecional. A mesma rota que leva grãos recebe insumos — fertilizantes e equipamentos importados —, o que otimiza fretes e reduz custos de reposição para o Cerrado brasileiro.
O Arco Norte evidencia que a geografia, quando combinada à engenharia e ao investimento, torna-se uma vantagem competitiva. Mais do que um caminho para o mar, o corredor alterou a dinâmica do agronegócio brasileiro, ampliando mercados, reduzindo vulnerabilidades logísticas e consolidando o país numa posição de força no comércio agrícola global.
ANÁLISE: COMO O ARCO NORTE REDESENHOU O AGRONEGÓCIO BRASILEIRO







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