INVESTIMENTO DE R$ 1,45 BILHÃO NA BR-319/AM VISA REDEFINIR LOGÍSTICA
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Obras no trecho do meio buscam reduzir tempo de transporte, custos operacionais e fortalecer a conexão do Amazonas com o restante do país.
O governo federal destinou R$ 1,45 bilhão para obras de melhoria na BR-319/AM, a única conexão terrestre do Amazonas com o restante do Brasil. O investimento, anunciado pelo Ministério dos Transportes, foca na recuperação de 339 quilômetros do chamado "Trecho do Meio" e tem como objetivo principal otimizar a logística de abastecimento e escoamento do Polo Industrial de Manaus. A ordem de serviço para um dos lotes já foi assinada.
O montante anunciado contempla a execução de obras em quatro lotes. O Lote 4, que compreende 120,5 quilômetros entre os km 469,6 e 590,1, recebeu a primeira ordem de serviço, com um investimento de R$ 362 milhões. Segundo o ministro dos Transportes, George Santoro, o avanço foi possível após uma alteração no entendimento jurídico da Advocacia-Geral da União (AGU), que passou a classificar as intervenções como melhorias em rodovias existentes, e não como implantação, o que simplificou os processos de licenciamento.
Para a Modal Consult, consultoria especializada em infraestrutura, a obra aborda a resiliência da cadeia de suprimentos da Amazônia, cuja vulnerabilidade foi exposta durante as recentes estiagens severas que limitaram o transporte fluvial. A trafegabilidade da BR-319 funciona como um ativo estratégico para a segurança do abastecimento regional. Ainda segundo a consultoria, a redução do chamado "Custo Amazônia", decorrente da maior eficiência logística, é um fator determinante para a atração de novos investimentos e para a competitividade das indústrias já instaladas no polo.
A perspectiva do setor privado corrobora essa análise. Irani Bertolini, presidente da Bertolini Transportes, estima que o tempo de trânsito de cargas para Manaus pode ser reduzido de 15 para aproximadamente oito dias com a rodovia em pleno funcionamento. Essa otimização de prazo impacta diretamente o capital de giro exigido pelas indústrias, que poderia diminuir de uma média de 30 para 15 dias. Bertolini também prevê uma reconfiguração na matriz de transportes, com o modal rodoviário ganhando participação sobre a navegação fluvial, atualmente predominante.

A execução do projeto ocorre em paralelo a discussões sobre seus impactos ambientais. Vander Costa, presidente da Confederação Nacional do Transporte (CNT), afirmou que o compromisso do governo e do setor é com um modelo de "carbono neutro", buscando conciliar o desenvolvimento econômico com a preservação. Ele citou que a trafegabilidade da rodovia é fundamental para garantir o abastecimento de comunidades ribeirinhas, principalmente em períodos de seca, quando os rios se tornam inavegáveis. (Fonte: MT, jornal A Crítica)
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