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ESTUDO DA CNT APONTA QUE BRASIL PRECISA DE R$ 2 TRILHÕES EM INFRAESTRUTURA

  • há 6 minutos
  • 3 min de leitura

Levantamento da Confederação Nacional do Transporte (CNT) expõe descompasso entre a necessidade de obras estratégicas e os recursos efetivamente aplicados pelo poder público, enquanto rodovias seguem sobrecarregadas e dependência do modal se mantém acima da de outros países de dimensão territorial semelhante


O Brasil precisará de R$ 2,03 trilhões em investimentos para viabilizar 2.837 projetos considerados estratégicos para o setor de transporte e logística, segundo o Plano CNT de Transporte e Logística 2026, divulgado pela Confederação Nacional do Transporte. O valor equivale a cerca de 16% do Produto Interno Bruto do país, um número que expõe a distância entre o que seria necessário investir e o que de fato tem sido destinado à área nas últimas duas décadas.


Segundo o levantamento, os investimentos federais em infraestrutura de transporte somaram, em média, apenas 0,15% do PIB por ano entre 2015 e 2025. Em 2025, especificamente, o aporte foi ainda mais baixo; R$ 16,67 bilhões, ou 0,13% do PIB, um patamar que a própria entidade classifica como insuficiente diante dos desafios logísticos do país.


O estudo reforça um diagnóstico já conhecido, mas raramente quantificado com clareza. O Brasil segue estruturalmente dependente do transporte rodoviário. Atualmente, as rodovias respondem por 65,8% da movimentação de cargas no país, percentual que supera com folga o de nações de extensão territorial comparável, como Estados Unidos (43%), China (35%) e Austrália (27%). Para a CNT, esse desequilíbrio demonstra a urgência de integrar melhor rodovias, ferrovias, hidrovias, portos e aeroportos, diversificando a matriz de transportes e reduzindo custos logísticos.


Imagem de Divulgação
Imagem de Divulgação

Os números de movimentação de cargas em 2025 ilustram a escala do desafio que ultrapassa 1bilhão de toneladas transportadas por rodovias, das quais cerca de 75% passaram por empresas do setor. As ferrovias, por sua vez, movimentaram mais de 554,5 milhões de toneladas úteis, enquanto os portos responderam por mais de 1,4 bilhão de toneladas entre exportações e importações. Os aeroportos receberam 130,6 milhões de passageiros, e o transporte coletivo urbano atendeu cerca de 29,9 milhões de passageiros diariamente, em 2.962 municípios.


Propostas

 

Diante do gargalo fiscal, a CNT apresenta um conjunto de propostas para tentar equilibrar a equação. Entre elas, está a destinação dos recursos arrecadados pela União com outorgas de infraestrutura para novos investimentos no próprio setor, por meio da chamada PEC da Infraestrutura. A entidade também defende o uso de parte da arrecadação da Cide-Combustíveis em obras de transporte e o fim dos contingenciamentos de recursos previstos no Orçamento-Geral da União.


Para estimular a participação do setor privado, a confederação aposta no fortalecimento do mercado de capitais, na ampliação de concessões e Parcerias Público-Privadas (PPPs), e na garantia de segurança jurídica e estabilidade regulatória. O relatório destaca que, em 2025, as emissões de debêntures incentivadas somaram R$ 177,97 bilhões, dos quais R$ 62,12 bilhões foram direcionados ao setor de transporte e logística, um indicativo de que o mercado privado já responde a esse tipo de estímulo quando as condições são favoráveis.


Um dos argumentos centrais da CNT para defender maior investimento é o retorno econômico gerado. De acordo com a entidade, cada R$ 1 investido em rodovias pela iniciativa privada pode gerar até R$ 4,77 no PIB do setor de transporte em até nove meses; quando o investimento é público, o retorno estimado chega a R$ 4,64 em até 18 meses.


Além das obras de infraestrutura, a CNT defende a ampliação de linhas de crédito para renovação de frotas (caminhões, ônibus, navios, locomotivas e aeronaves) e investimentos em polos logísticos, conectividade e modernização operacional. (Fonte: Conteúdo produzido com base na matéria da Revista Exame, de 6/8/2026).


ESTUDO DA CNT APONTA QUE BRASIL PRECISA DE R$ 2 TRILHÕES EM INFRAESTRUTURA

 
 
 

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