CNT PROPÕE R$ 2 TRILHÕES EM INVESTIMENTOS PARA MODERNIZAR TRANSPORTE NO BRASIL
Plano apresentado pela entidade reúne 2.837 projetos e defende continuidade das políticas públicas, reforço orçamentário e maior participação privada
A Confederação Nacional do Transporte (CNT) estima que o Brasil precise investir R$ 2,03 trilhões para superar os principais gargalos de sua infraestrutura de transporte. O valor integra a edição de 2026 do Plano CNT de Transporte e Logística, que reúne 2.837 projetos prioritários em diferentes regiões do país.
O diagnóstico da entidade aponta problemas que afetam tanto o deslocamento de passageiros quanto o transporte de cargas. Entre eles estão a baixa pavimentação da malha rodoviária, a deterioração das estradas, a insuficiência de ferrovias e a falta de sistemas eficientes de transporte coletivo nas áreas metropolitanas.
Segundo a CNT, apenas 13% da malha rodoviária brasileira é pavimentada. Além disso, 62,1% dos trechos avaliados foram classificados como regulares, ruins ou péssimos. Entre as rodovias sob gestão pública, o índice chega a 72,8%.
Rodovias concentram maior número de projetos
O plano prevê 1.177 projetos rodoviários, com a recuperação de aproximadamente 26,5 mil quilômetros de pavimento, além da duplicação de mais de 10,3 mil quilômetros de estradas.
Para a entidade, a prioridade deve ser uma combinação de manutenção da infraestrutura existente, ampliação da capacidade das vias, pavimentação de trechos ainda não asfaltados e construção de novas ligações. A avaliação é que a precariedade da malha eleva custos logísticos, aumenta o tempo de viagem e reduz a competitividade da produção nacional.
A CNT também defende a recomposição dos recursos públicos destinados ao setor. Em 2025, os investimentos federais em infraestrutura de transporte corresponderam a 0,13% do Produto Interno Bruto, percentual considerado insuficiente para atender à demanda por manutenção e expansão.
Ferrovias
Quase metade do valor estimado no plano está destinada a projetos ferroviários. São 115 propostas para a construção de 25,5 mil quilômetros de ferrovias e a recuperação de outros 14 mil quilômetros de trilhos.
A expansão ferroviária é apontada como estratégica para reduzir a dependência do transporte rodoviário, especialmente no deslocamento de grandes volumes de cargas. O documento também inclui projetos de transporte ferroviário de passageiros, entre eles o trem de alta velocidade ligando São Paulo, Campinas e Rio de Janeiro.
Nas cidades, a CNT propõe a ampliação de metrôs, trens urbanos, monotrilhos, veículos leves sobre trilhos e sistemas de aeromóvel. A entidade também defende a implantação de faixas e corredores exclusivos para ônibus, com o objetivo de elevar a velocidade média das viagens e tornar o transporte coletivo mais atrativo.
O diagnóstico é que o crescimento urbano não foi acompanhado pela expansão dos sistemas de mobilidade. O resultado são deslocamentos mais demorados, congestionamentos e aumento da dependência do transporte individual.

Além da lista de obras, a CNT propõe mudanças na forma como o país planeja e financia sua infraestrutura. A entidade defende que o setor seja tratado como uma política permanente de Estado, com planejamento de longo prazo e menor interferência das mudanças de governo.
Entre as medidas sugeridas está a retomada da chamada PEC da Infraestrutura. A proposta prevê que 70% dos recursos arrecadados com outorgas de concessões sejam reinvestidos no próprio setor em até três anos.
A CNT também propõe a destinação integral da Cide-Combustíveis para obras de transporte e a ampliação do uso de concessões, parcerias público-privadas, recursos do BNDES, mercado de capitais e organismos multilaterais.
O desafio, entretanto, não se limita à identificação das obras. A execução do plano dependerá de capacidade fiscal, segurança jurídica, coordenação entre União, estados e municípios e mecanismos de acompanhamento que garantam a continuidade dos projetos.
Para a CNT, a melhoria da infraestrutura de transportes é condição para reduzir custos, estimular investimentos, ampliar a produtividade e melhorar a qualidade de vida da população. O plano apresentado pela entidade coloca o setor no centro da agenda econômica e eleitoral do país. (Fonte: Agência CNT de Notícias)
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