BR DO MAR: CABOTAGEM E A ROTA PARA A EFICIÊNCIA LOGÍSTICA NO BRASIL
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Programa federal flexibiliza regras de afretamento para ampliar a frota, reduzir custos operacionais e diminuir a dependência do transporte rodoviário.
O programa BR do Mar visa reequilibrar a matriz de transportes do Brasil, fortalecendo a cabotagem como alternativa logística. A iniciativa tende a aumentar a oferta de embarcações e a concorrência no setor, abordando diretamente os altos custos e a forte concentração de cargas no modal rodoviário, que atualmente responde por cerca de 65% de toda a movimentação no país.
A dependência do transporte por estradas, que chega a 85% quando se excluem minérios e combustíveis, expõe a economia brasileira a oscilações no preço dos combustíveis, congestionamentos e custos elevados de manutenção. Com mais de 8 mil quilômetros de costa navegável, o Brasil possui um potencial subutilizado para o transporte marítimo doméstico. Dados da Confederação Nacional do Transporte (CNT) indicam que até 65% das cargas poderiam, em alguma etapa, ser movimentadas por cabotagem, evidenciando a oportunidade de otimização.
O cerne do programa está na flexibilização das regras para o afretamento de embarcações estrangeiras por Empresas Brasileiras de Navegação (EBNs). A medida permite que as empresas ampliem sua capacidade operacional de forma mais ágil, ajustando a oferta de navios à demanda do mercado. Essa mudança regulatória é projetada para injetar mais competitividade no setor, historicamente concentrado, e estimular a criação de novas rotas comerciais ao longo da costa.
Na análise da Modal Consult, o verdadeiro potencial do BR do Mar transcende a simples redução de fretes. O programa atua como um catalisador para a integração multimodal, incentivando as empresas a redesenharem suas cadeias logísticas. A viabilidade econômica da cabotagem força uma reavaliação de rotas e a busca por sinergia entre portos, ferrovias e rodovias. Além disso, o incentivo ao uso de "embarcações sustentáveis" que permite uma expansão de frota de até 300% via afretamento, alinha o setor de infraestrutura às crescentes demandas globais por práticas ESG, um fator cada vez mais decisivo para investimentos e parcerias comerciais.

Os impactos econômicos e ambientais projetados reforçam a importância da iniciativa. Estudos conduzidos pela Infra S.A. apontam que o custo do frete por cabotagem pode ser até 60% inferior ao rodoviário e 40% menor que o ferroviário, com uma economia potencial de até R$ 19 bilhões anuais para a economia nacional. Do ponto de vista ambiental, a migração de parte das cargas para o mar pode reduzir em mais de 80% as emissões de gases de efeito estufa em comparação com os modais terrestres, contribuindo para as metas de sustentabilidade do país.
O sucesso do BR do Mar, contudo, dependerá da superação de desafios estruturais. A eficiência do programa está diretamente ligada à capacidade dos portos de operarem como hubs multimodais ágeis, com infraestrutura adequada para o transbordo rápido de cargas. A regulação e a previsibilidade contratual serão cruciais para atrair os investimentos necessários em frota e tecnologia, consolidando a cabotagem como uma alternativa central da logística brasileira no futuro. (Fonte: MPOr)
BR DO MAR: CABOTAGEM E A ROTA




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