ARCO NORTE CONSOLIDA CRESCIMENTO E REDESENHA A LOGÍSTICA DO AGRO
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Com alta de 42,1%, portos da região superam polos tradicionais e se firmam como rota
essencial para o escoamento de soja e milho, otimizando custos.
Em janeiro de 2026, o setor portuário brasileiro testemunhou um movimento
transformador; - os portos da Região Norte registraram um crescimento de 42,11% na
movimentação de cargas, alcançando 11,5 milhões de toneladas. Impulsionado pela
força do agronegócio e pela consolidação de novas rotas de exportação, o desempenho,
apurado pela ANTAQ, sinaliza uma reconfiguração estrutural da matriz logística
nacional, posicionando o Arco Norte como um eixo central e estratégico.
O avanço foi liderado de forma expressiva pelos granéis sólidos, que totalizaram
8,4 milhões de toneladas, um aumento de 53,23% em relação ao mesmo período do ano
anterior. Dentro deste segmento, a soja e o milho foram os protagonistas. A
movimentação de soja atingiu 2,2 milhões de toneladas (alta de 192,47%), enquanto o
milho somou 2,6 milhões de toneladas (crescimento de 112,17%). Juntas, as duas
commodities representaram mais de 40% de todo o volume operado, tendência de
crescente preferência pela rota Norte para o escoamento da safra vinda do Centro-Oeste.
Este fenômeno está diretamente ligado à maturação do Arco Norte, um corredor
logístico que integra hidrovias estratégicas, como as dos rios Tapajós e Madeira, a eixos
rodoviários como a BR-163. A principal vantagem competitiva desta rota é a redução
significativa da distância terrestre para as áreas produtoras, o que se traduz em menor
custo de frete e maior eficiência. O resultado é um ganho de competitividade para o
produto brasileiro no mercado internacional e um alívio da pressão sobre os portos de
Santos e Paranaguá, historicamente sobrecarregados.

O impacto no comércio exterior foi decisivo para o resultado de janeiro. As
exportações através dos portos do Norte avançaram 66,56%, enquanto a navegação de
longo curso cresceu 43,9%, movimentando 4,6 milhões de toneladas. Esses números
reforçam a capacidade operacional da região e a sua crescente inserção nas principais
rotas do comércio marítimo global, atendendo com mais agilidade a demanda de
mercados na Europa e Ásia.
A expansão é sustentada por um modelo híbrido de sucesso, combinando a força
dos Terminais de Uso Privado (TUPs) e a eficiência dos portos públicos. Os terminais
privados responderam por dois terços do volume (7,7 milhões de toneladas),
demonstrando o dinamismo do investimento privado no setor. Contudo, os portos
públicos, como Santarém e Vila do Conde, também registraram um crescimento robusto
de 50,24%, somando 3,8 milhões de toneladas e provando sua relevância na
infraestrutura regional.
Análise da Modal Consult
O crescimento de 42,11% não é um dado isolado, mas a confirmação de uma
tendência que redefine o planejamento logístico e de infraestrutura no Brasil.
A consolidação do Arco Norte representa a passagem de um modelo radial, concentrado
no Sudeste, para um sistema mais distribuído e resiliente. Para players do setor, isso
significa que a análise de investimentos não pode mais ignorar o potencial de ativos
logísticos na Região Norte. A valorização de terminais, armazéns e infraestrutura de
transbordo intermodal (rodovia-hidrovia) é uma consequência direta. Mais do que uma
alternativa, o Norte é agora uma peça central na estratégia de competitividade do
agronegócio, exigindo um olhar atento para novos projetos e para a superação de
gargalos remanescentes, como a navegabilidade dos rios e a conclusão de obras
rodoviárias.
Para o futuro, a agenda estratégica do setor deve priorizar investimentos na
modernização dos terminais, na dragagem e sinalização das hidrovias e na integração de
modais. A capacidade de resposta do poder público e da iniciativa privada a essas
demandas determinará a velocidade com que o Brasil poderá capitalizar plenamente os
benefícios desta nova geografia logística.
ARCO NORTE CONSOLIDA CRESCIMENTO E REDESENHA A LOGÍSTICA DO AGRO
