A NOVA ENGENHARIA DA COMPETITIVIDADE PORTUÁRIA NO BRASIL
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Na Modal Consult, entendemos que a competitividade portuária depende da integração entre infraestrutura, dragagem de precisão e inteligência de dados.
O setor portuário brasileiro atravessa um ponto de inflexão decisivo. Pressionado por uma demanda em forte expansão, após um salto de 20% na movimentação em 2024 e uma alta contínua de 10% em 2025, o país precisa enfrentar um dilema duplo; expandir com urgência sua capacidade física e, ao mesmo tempo, promover uma transformação digital profunda em suas operações.

Nesse cenário de transformação, apresentamos uma leitura objetiva que redefine a lógica do setor. Para a Modal, entendemos que capacidade física e arquitetura digital deixaram de ser agendas paralelas e passaram a constituir variáveis indissociáveis da mesma equação de produtividade.
Sob o prisma técnico, avaliamos que o calado dos canais de acesso atua hoje como um teto rígido ao crescimento logístico. No Porto de Santos, a restrição atual de 15 metros impede que navios da classe New Panamax operem em sua plenitude, deixando de embarcar até 1.600 contêineres por viagem. Trata-se de uma perda expressiva de economia de escala em um momento de consolidação das grandes rotas globais.

Para nós, a agenda de dragagem é um dos pilares da competitividade portuária brasileira. Projetos desse porte convertem a complexidade logística em vantagem estratégica ao integrar engenharia hidroviária avançada, licenciamento ambiental, modelagem hidrodinâmica e coordenação regulatória.
A dragagem estrutural prevista para 2027 em Santos, por exemplo, com aporte de R$ 617,9 milhões para alcançar profundidades entre 16 e 17 metros, deverá produzir impactos operacionais imediatos como, ampliar a janela de atracação e reduzir os tempos de manobra; permitir a recepção de embarcações de maior porte e diminuir o custo por TEU; e reduzir as emissões de CO₂ por tonelada transportada.
Nossa avaliação é direta. O retorno econômico da dragagem supera amplamente seus custos, ao atrair rotas de grande porte e mitigar prejuízos milionários com demurrage.
Entendemos, contudo, que ganhar metros de profundidade no canal marítimo é insuficiente se o ecossistema em terra não acompanhar o novo fluxo. É nesse gargalo que se torna fundamental inserir a modelagem de capacidade, apoiada em métricas refinadas e precisas.
Nesse ponto, a digitalização se apresenta como o vetor mais estratégico da eficiência operacional. Em nossa análise, a implementação de inteligência artificial, automação e arquiteturas de dados permite transformar a complexidade do pátio em uma vantagem competitiva mensurável.
Consideramos o projeto do Tecon Santos 10 como o grande laboratório prático dessa tese. Projetado para expandir em 50% a capacidade de contêineres do porto, o empreendimento nasceu sob a premissa do dimensionamento conjunto de berços mais profundos combinados com automação de pátio, guindastes STS de última geração e conexões ferroviárias diretas.
O diferencial analítico da Modal Consult, neste cenário, reside justamente na visão simbiótica entre esses dois mundos: - a dragagem sem digitalização gera uma infraestrutura cara e subutilizada pelas ineficiências em terra; - já a digitalização sem dragagem otimiza processos internos, mas esbarra no limite físico imposto pelo tamanho dos navios.

Acreditamos que na próxima década, os portos brasileiros não disputarão rotas internacionais apenas pela profundidade de seus canais, mas por sua capacidade de transformar cada metro de calado em tempo recorde de giro de carga. Os players que adotarem a modelagem física e digital como uma estratégia única conseguirão capturar, de fato, os ganhos do comércio global.
Análise produzida com base nas reportagens do Caderno Especial de Infraestrutura do jornal Valor Econômico, publicado em 29 de julho de 2026.
A NOVA ENGENHARIA DA COMPETITIVIDADE PORTUÁRIA NO BRASIL




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