PORTO DE MURTINHO: AUTORIZAÇÃO PROVISÓRIA ABRE NOVA ROTA COMERCIAL
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Instalação portuária sul-mato-grossense recebe habilitação da Receita Federal para operações internacionais via Hidrovia Paraguai-Paraná
A Receita Federal concedeu autorização provisória para que o Porto de Murtinho, localizado no extremo sul de Mato Grosso do Sul, opere cargas internacionais. A decisão representa um marco estratégico para a diversificação dos corredores logísticos do Centro-Oeste brasileiro e coloca o município como novo ponto de entrada e saída de mercadorias no complexo hidroviário da Bacia do Prata. A habilitação provisória permite operações controladas enquanto a infraestrutura alfandegária é finalizada, com expectativa de movimentação inicial de grãos, fertilizantes e cargas gerais.
O Porto de Murtinho está posicionado estrategicamente às margens do Rio Paraguai, na fronteira com o Paraguai, integrando a Hidrovia Paraguai-Paraná – corredor fluvial de aproximadamente 3.442 quilômetros que conecta cinco países sul-americanos (Brasil, Argentina, Bolívia, Paraguai e Uruguai). Segundo dados da Administração da Hidrovia Paraguai-Paraná (AHIPAR), este sistema hidroviário movimentou cerca de 12 milhões de toneladas de cargas em 2025, com predominância de soja, milho e minério de ferro. A inclusão de Murtinho neste sistema amplia as alternativas logísticas para produtores do Centro-Oeste, região responsável por aproximadamente 49% da produção nacional de grãos, conforme levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB).
A autorização provisória concedida estabelece um regime operacional transitório, comum em processos de habilitação de novos pontos alfandegados. Durante este período, as operações ocorrem sob supervisão intensificada, permitindo ajustes na infraestrutura e em procedimentos antes da habilitação definitiva.
Do ponto de vista econômico, a operacionalização de Murtinho responde a uma demanda estrutural do agronegócio sul-mato-grossense. Atualmente, cerca de 70% das exportações de grãos do estado utilizam corredores rodoferroviários com destino aos portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR), percorrendo distâncias superiores a 1.200 quilômetros. A alternativa hidroviária via Murtinho pode reduzir custos logísticos em até 30%, segundo estimativas do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (IMEA), ao encurtar rotas para mercados do Cone Sul e facilitar transbordo para navios de maior calado em portos argentinos como Rosário e Buenos Aires.

A infraestrutura portuária de Murtinho vem sendo desenvolvida com investimentos privados estimados em R$ 150 milhões, incluindo terminais de transbordo, armazéns graneleiros e sistemas de pesagem e controle fitossanitário. A capacidade inicial projetada é de 1,5 milhão de toneladas anuais, com possibilidade de expansão para 3 milhões de toneladas em fases subsequentes. Além da movimentação de grãos, há expectativa de operações com fertilizantes importados – insumo estratégico para o agronegócio brasileiro, que importa aproximadamente 85% do potássio e 65% dos fertilizantes nitrogenados consumidos, conforme dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA).
A dimensão geopolítica também merece destaque. A ativação de Murtinho fortalece a integração comercial no âmbito do Mercosul e reforça a importância estratégica da Hidrovia Paraguai-Paraná como eixo de desenvolvimento regional. Iniciativas como o Programa de Desenvolvimento da Faixa de Fronteira, do governo federal, identificam a região como prioritária para investimentos em infraestrutura binacional. A proximidade com Puerto Carmelo Peralta, no lado paraguaio, abre possibilidades para operações de cabotagem fluvial e comércio transfronteiriço de produtos manufaturados, ampliando o escopo além do agronegócio. (Fonte: Campo Grande News)
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